Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), por volta das 7h34 no horário local. O epicentro foi localizado a poucos quilômetros de San José del Palmar, no departamento do Chocó, cerca de 240 km a oeste de Bogotá, a uma profundidade estimada entre 82 e 120 km, segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC) e agências internacionais. O tremor foi sentido em praticamente todo o território nacional e também em regiões do Equador, da Venezuela e do Panamá.
Cidades mais afetadas
Os danos estruturais mais graves foram registrados em Cali, Manizales, Pereira, Quibdó e Armênia. Em Manizales, a torre da catedral da cidade desabou. Moradores relataram desprendimento de fachadas e colapsos parciais de edificações em diferentes pontos dessas cidades. O prefeito de Cali, Alejandro Eder, decretou toque de recolher na cidade, das 20h às 6h, citando ameaças de saques, além de reforço policial e militar nas ruas. Em Bogotá, a prefeitura informou que não foram registrados danos estruturais significativos até o momento, mas seis pontos de coleta de doações (água potável, cobertores, alimentos não perecíveis, itens de higiene) foram montados para apoiar as regiões mais atingidas.
Balanço de vítimas ainda incerto
O balanço mais recente, divulgado pela Associação Colombiana de Cidades Capitais (Asocapitales) com corte às 17h30 (horário local), aponta 132 mortos e mais de 570 feridos — números ainda preliminares e sujeitos a atualização, conforme avançam as avaliações de danos em cada região. Por cidade, a distribuição informada é: Pereira concentra o maior número entre as capitais, com 60 mortos; seguida por Cali, com 15; Quibdó, com 8; e Manizales, com 4. No Valle del Cauca, fora de Cali, foram contabilizadas cerca de 27 mortes, incluindo três crianças em Calima El Darién, segundo a governadora do departamento, Dilian Francisca Toro. Cinco cidades — Pereira, Cali, Quibdó, Manizales e Armênia — permanecem em alerta vermelho.
Separadamente, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, declarou desastre de caráter nacional e informou que, somente em Cali, há cerca de 188 pessoas desaparecidas e aproximadamente 5 mil residências danificadas ou destruídas — um balanço que ainda não está totalmente refletido no número consolidado da Asocapitales, o que ajuda a explicar por que diferentes fontes divulgam totais distintos neste momento. Um dos episódios mais graves da resposta à emergência ocorreu no Hospital Universitário de Cali, que teve parte da estrutura desabada, deixando pacientes da UTI presos nos escombros, segundo a governadora do Valle del Cauca. O prefeito de Cali, Alejandro Eder, relatou 19 estruturas colapsadas com pessoas presas, e pediu reforço de equipes de resgate.
Resposta internacional
Governos de diferentes países manifestaram apoio à Colômbia após o terremoto. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, publicou que o governo americano está "monitorando de perto" a situação e "pronto para apoiar o povo colombiano". O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, expressou condolências pelas mortes, feridos e danos causados pelo sismo. O presidente colombiano afirmou que aliados internacionais já sinalizaram disposição de ajudar com o que for necessário, e prometeu balanços atualizados a cada duas ou três horas enquanto a situação evolui.
Por que o tremor foi tão forte e sentido tão longe
Segundo o Serviço Geológico Colombiano, o terremoto foi classificado como um evento intraplaca profundo, resultado da placa oceânica que avança sob o continente na região oeste do país, a uma velocidade estimada de 55 a 60 milímetros por ano, acumulando pressão liberada em eventos como este. A profundidade do epicentro (acima de 80 km) ajuda a explicar por que o tremor foi sentido a centenas de quilômetros de distância, incluindo capitais de países vizinhos. O órgão classificou o episódio como o maior terremoto registrado no país na última década, com energia liberada muito superior à dos terremotos históricos do Chocó (1995) e do Eixo Cafeteiro (1999). O SGC informou ainda que este evento não tem relação com o terremoto registrado na Venezuela em junho de 2026, nem com a atividade vulcânica monitorada no vulcão Puracé, que segue sob alerta.