O consumidor brasileiro passou a visitar os pontos de venda com maior frequência, mas levando menos produtos por compra. Segundo estudo da Worldpanel by Numerator, a frequência das compras de abastecimento aumentou 32% em três anos e chegou a 24 visitas anuais. Entre 2024 e 2025, a quantidade média de itens por compra caiu de 27 para 22, enquanto o gasto médio recuou de R$ 158 para R$ 138. Os números indicam maior divisão do orçamento ao longo do mês, embora o comportamento possa variar conforme renda, região e formato de loja.
O mesmo padrão aparece nos dados de cartão
Uma fonte diferente confirma a mesma direção, ainda que com uma base de dados distinta: segundo o relatório Hábitos de Consumo 2025 da Elo, as transações feitas com cartões de crédito Elo cresceram 14% de 2024 para 2025, o valor total transacionado subiu 12%, e o valor médio por transação caiu 2%. É importante o recorte: esses números refletem o comportamento de quem usa cartão de crédito Elo especificamente, não o consumo brasileiro como um todo, nem se limitam a compras de supermercado.
Por que isso está acontecendo
O movimento de fracionar as compras tem algumas explicações que se somam: a expansão de lojas de bairro e de conveniência facilitou o acesso a pontos de venda mais próximos de casa; a praticidade dos aplicativos de delivery tornou reposições pequenas mais viáveis no meio da semana; e, num cenário de orçamento mais apertado, comprar aos poucos ajuda a evitar desperdício e a ajustar o consumo à necessidade real, em vez de estocar por precaução.

