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Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025; BC estuda expansão internacional e novas funções

Relatório aponta quase 80 bilhões de transações e detalha projetos como Pix internacional, Pix em garantia, pagamentos offline e reforços contra fraudes.

Por Núcleo de Contexto · Apuração e verificação · 4 min de leitura

Publicado em · Atualizado em

Logo do Pix com a marca "powered by Banco Central"

Em resumo

  • O Pix registrou quase 80 bilhões de transações em 2025, crescimento de 25,7% frente a 2024, movimentando mais de R$ 35 trilhões — 148 milhões de pessoas usaram o sistema no ano, de um total de mais de 162 milhões com chave cadastrada
  • O Banco Central estuda ampliar o Pix para operações internacionais e permitir seu uso como garantia de crédito ("Pix em garantia"), mas nenhuma das duas frentes tem data oficial de lançamento
  • Outras frentes em estudo: pagamentos offline (diferente do Pix por aproximação, que já existe), aprimoramentos no Pix Automático para cobranças recorrentes, e um grupo de trabalho contra o uso indevido do campo de mensagens

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (10) a segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, que apresenta a evolução do sistema entre 2023 e 2025 e detalha projetos previstos ou ainda em estudo. Os dados mostram que o Pix se consolidou como uma das principais infraestruturas digitais de pagamentos do país, com liquidação instantânea e registros mantidos pelas instituições participantes.

Os números de 2025

Segundo o relatório, o Pix registrou quase 80 bilhões de transações em 2025, um crescimento de 25,7% na quantidade de operações em relação a 2024, movimentando um volume financeiro superior a R$ 35 trilhões. Cerca de 148 milhões de pessoas e 12,8 milhões de empresas movimentaram Pix — fizeram ou receberam pelo menos uma transação — no período, o equivalente a 86% da população adulta brasileira. Esse número de usuários ativos é diferente do total de chaves cadastradas: o país soma mais de 920 milhões de chaves Pix, vinculadas a mais de 162 milhões de pessoas físicas e 16 milhões de empresas — nem todo mundo com chave cadastrada necessariamente movimentou o sistema no ano.

Pix internacional está entre as frentes em estudo

Uma das principais propostas apresentadas no relatório é ampliar a utilização do Pix em operações internacionais. O Banco Central avalia a possibilidade de conectar o sistema brasileiro a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países e a estruturas multilaterais. A iniciativa poderia tornar determinadas remessas internacionais mais rápidas e reduzir intermediários, mas ainda não há data oficial para seu lançamento. O BC também informou que monitora modelos de transações internacionais com uso do Pix que já vêm sendo implementados por empresas nacionais e estrangeiras.

Pix como garantia de crédito

Outra frente em estudo é a integração do Pix ao mercado de crédito, batizada de "Pix em garantia". A ideia é permitir que fluxos futuros de recebimentos via Pix sejam usados como garantia em operações de financiamento — algo especialmente relevante para pequenos negócios que movimentam boa parte do faturamento pelo sistema. Segundo o próprio documento do Banco Central, a expectativa é que a solução "contribua para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix". Não há, até o momento, cronograma definido para essa funcionalidade.

Organizando o recebimento do seu negócio

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Pix Automático e pagamento offline

O relatório também menciona aperfeiçoamentos no Pix Automático, voltado a cobranças recorrentes, além de estudos para permitir pagamentos sem conexão momentânea com a internet. Esse modelo offline ainda não deve ser confundido com o Pix por aproximação, funcionalidade que já está disponível hoje. O documento cita ainda outras frentes em estudo, como a cobrança híbrida, o uso do Pix para liquidação de duplicatas escriturais, e o split tributário, mecanismo pensado para se conectar à reforma tributária em curso no país.

Segurança: combate a mensagens ofensivas e novos indicadores de fraude

Na frente de segurança, o Banco Central confirmou que estuda medidas contra o uso indevido do campo de mensagens das transações — recurso que vem sendo explorado para envio de ofensas, ameaças e golpes, muitas vezes em transferências de valores muito baixos, feitas justamente para viabilizar o envio da mensagem. Um grupo de trabalho foi criado dentro do Fórum Pix, reunindo associações do setor financeiro e representantes da sociedade civil, para discutir alternativas que preservem a segurança e a experiência dos usuários sem alterar as características centrais do sistema. Outras medidas de segurança citadas incluem um indicador de probabilidade de fraude, a padronização de alertas de golpe, a inclusão de iniciadores de pagamento no Mecanismo Especial de Devolução (MED) e aprimoramentos no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT).

O que sabemos

  • Os números de 2025 (transações, volume, usuários, chaves cadastradas) constam oficialmente no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central em 10 de agosto de 2026
  • A inserção internacional do Pix e o uso do sistema como garantia de crédito são citados como estudos em andamento pelo próprio Banco Central no documento oficial
  • O grupo de trabalho sobre uso indevido do campo de mensagens foi confirmado pelo BC como parte do Fórum Pix

O que ainda precisa ser esclarecido

  • O Banco Central ainda não detalhou prazos concretos para a maioria das novas funcionalidades (Pix internacional, Pix em garantia, split tributário) — o relatório trata esses itens como agenda de estudo, não como cronograma fechado
  • Não está claro ainda como vai funcionar na prática a eventual regulamentação do campo de mensagens, incluindo se haverá limitação de caracteres, filtros automáticos ou outro mecanismo

Fontes consultadas

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